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Mostrando postagens com o rótulo Romance

O infinito e a tempestade

A sensação era de estar com os olhos fechados, ouvindo um som agudo em um volume extremamente baixo que exigia completa atenção para percebê-lo. A respiração calma com ar suficiente para encher os pulmões toda vez. Quando concentrado ouvia o tom angelical sem dificuldade e era como se estivesse conectado com tudo o que existia em todo lugar. O peito expandido ao máximo para sentir a singela sensação da existência. Em um cosmos distante, flutuava. As estrelas em volta faziam parte de seu corpo, os olhos fechados, os ouvidos que eram feitos de galáxias ouviam.  A experiência de mover as mãos, mesmo que por um centímetro, era como balançar suavemente as mesmas por de baixo d’água. Havia uma pequena resistência que causava sentimento de completude, as mãos que não eram mãos, eram e não eram porque não existiam sem as estrelas, mas o que seriam as estrelas sem as mãos do infinito? Inspirava e expirava com ritmo, mas sem regra. Inspirava e podia ver a escuridão que havia para todos os la...

O trem de meio-dia

Os dois esperavam em lados opostos da estação pelo mesmo trem que não demoraria a chegar Yan chegara às dez para pegar o trem Havia planejado seu dia e a expectativa para a viagem era grande, sabia o que faria em cada ponto de parada, tinha programas divertidos em mente para passar o tempo em alegria Bernardo estava ali por acaso Havia bebido demais na noite anterior e acabou em uma festa na casa do primo do irmão do amigo de um amigo dele Chegou na estação quase na hora da partida do trem e entrou cambaleando em seu vagão Quando se sentou em sua poltrona tornou-se são ao encontrar os olhos de Yan que o fitavam como alguém que o conhecia há séculos O rapaz a sua frente começou a conversar e trocar ideias sobre o roteiro da viagem e sobre tudo o que era possível fazer no trem Bernardo que tinha ainda um pouco de ressaca da festa anterior, sentia-se agora em outra, num show de uma pessoa só Yan tinha ânimo e vontade de partilhar tudo o que havia descoberto Ele estava eufórico e alegre po...

Beija-Flor

  Beija-Flor está disponível somente no livro 'Folhas ao Vento de Nós'. Este conto foi criado após a conclusão da edição do livro e foi escrito justamente para fechar a sequência de contos. Por isso, este é um exclusivo, visto que ele é uma sumarização de todos os sentimentos que tornaram o manuscrito possível. 'Folhas ao Vento de Nós' está disponível para compra na plataforma da UICLAP  e também em versão digital para Kindle na Amazon . Caso queira a versão em capa dura com ilustrações ainda mais exclusivas, entre em contato que eu mesmo te entrego ou envio para todos os cantos do Brasil. e-mail para contato: kainanismar@gmail.com

Quanto tempo vive uma flor

  No começo sempre é estranho. A semente nunca se parece com a flor já crescida, não há nenhum indício se será uma rosa ou uma tulipa. No começo é uma troca intensa e incessante. A flor é lembrada durante o dia quando estamos longe, trabalhando, estudando, vivendo... Pensamos se talvez ela não queira um pouco d’água, ou talvez algum adubo para a fortalecer. Quando vamos ao mercado lembramos dela, o que será que levo? Flores gostam de ovos de codorna em conserva? Não saberia dizer. Enfim a planta aparece em seu vaso, a primeira folhinha despontando no pequeno caule frágil. Agora tem de se tomar mais cuidado ainda. Vou lembrar ela todo dia de que a beleza dela existe porque eu existo e eu existo porque ela existe. Se ela for forte nos invernos, vão dizer que as plantas imitam seus donos. E eu não sou dono de ti, nós somos parceiros, concordando em nos abençoar com o cuidado e carinho do outro. Quando te rego te lembro disso, toda vez. Às vezes me pergunto se estás viva porque te rego...

Juventude

Naquela manhã eu estava só. Mas estar só era exatamente o que tornava aquele momento mágico, único e meu.  Acordei na grama, em uma praia qualquer.  A ideia de fugir surgira em meio a rotina e a escravidão do capitalismo que me matava a juventude dia após dia.  Meu peito queimava ao sol das dez da manhã e minha cabeça fingia começar a doer.   Olhei em volta, minha camisa não estava tão distante, meus tênis estavam embaixo da pedra onde eu os tinha escondido na noite anterior e as garrafas de cerveja estavam vazias.  Sentei-me na grama e ao olhar para o mar se beijando com o céu e seus tons da manhã, senti-me sem ar.   Eu estava no quadro onde sempre quis estar, nas fotos dos outdoors, nas telas de computadores.  As nuvens ganhavam formas facilmente enquanto eu fumava o terceiro - ou talvez quarto - baseado.  O calor do sol já não era tão quente, pois a felicidade que eu sentia irradiava de mim. Tive a impressão de que os ...

Imergindo

Devia ser um sono bem leve o qual você estava Toquei sua orelha com os lábios para que visse A borboleta na janela do quarto Quão belo inseto de asas vermelho-brancas Você abriu os olhos e beijou-me suavemente As cortinas balançavam com o vento do verão E a borboleta ali, quieta, observando-nos O sol estava a altura de nossa janela Com seus raios enlaçando-nos Deitei-me ao seu lado olhando para o teto Fechei os olhos e respirei o ar fresco de seu perfume Não havia barulho. Havia som. Canto. Chamei por seu nome e ele ecoará em mim Imergiu-se. Aquele momento era uma pintura Um pedaço do paraíso na terra Naquela manhã era como se não houvesse futuro. Éramos só nós dois, sem motivos. Nós estávamos como no começo de nosso amor Apaixonados... Imergindo.

Folhas ao Vento de Nós

Nós imaginávamos uma vida de sonhos e desejos realizados, uma vida conjunta e estável. Nós viajávamos para a lua em vinte e sete minutos de cochilo, nos drogamos com o ar quente de nossa respiração, tão perto que não se podia medir. Gargalhamos a nossa miséria apaixonada. Nossas almas eram uma só, quando o ‘sempre’ era solúvel em um segundo. Exploramos a desgraça do poder limitado e dividimos o peso da carga conquistada. Era derradeiro nosso amor, era oscilante, era puro e feliz enfim. Assim o verde se revelava azul e o frio, calor. O céu e suas estrelas, filhas, se apresentavam à direção da lua. A grama que nos confortava era a cama de todos, a cama de casais apaixonados, a casa de nossa graça. As ambições ambicionadas naquela noite são o futuro eternizado no passado, são as obrigações de duas almas presas uma à outra. Prazer era aquilo que tínhamos quando éramos só nós dois. Na faixa 12 do tal CD, na era de ninguém e do nada. O ar era o transmissor de todo aquele sol dentro...