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Mostrando postagens com o rótulo Liberdade

O trem de meio-dia

Os dois esperavam em lados opostos da estação pelo mesmo trem que não demoraria a chegar Yan chegara às dez para pegar o trem Havia planejado seu dia e a expectativa para a viagem era grande, sabia o que faria em cada ponto de parada, tinha programas divertidos em mente para passar o tempo em alegria Bernardo estava ali por acaso Havia bebido demais na noite anterior e acabou em uma festa na casa do primo do irmão do amigo de um amigo dele Chegou na estação quase na hora da partida do trem e entrou cambaleando em seu vagão Quando se sentou em sua poltrona tornou-se são ao encontrar os olhos de Yan que o fitavam como alguém que o conhecia há séculos O rapaz a sua frente começou a conversar e trocar ideias sobre o roteiro da viagem e sobre tudo o que era possível fazer no trem Bernardo que tinha ainda um pouco de ressaca da festa anterior, sentia-se agora em outra, num show de uma pessoa só Yan tinha ânimo e vontade de partilhar tudo o que havia descoberto Ele estava eufórico e alegre po...

Beija-Flor

  Beija-Flor está disponível somente no livro 'Folhas ao Vento de Nós'. Este conto foi criado após a conclusão da edição do livro e foi escrito justamente para fechar a sequência de contos. Por isso, este é um exclusivo, visto que ele é uma sumarização de todos os sentimentos que tornaram o manuscrito possível. 'Folhas ao Vento de Nós' está disponível para compra na plataforma da UICLAP  e também em versão digital para Kindle na Amazon . Caso queira a versão em capa dura com ilustrações ainda mais exclusivas, entre em contato que eu mesmo te entrego ou envio para todos os cantos do Brasil. e-mail para contato: kainanismar@gmail.com

Era você ali

A chuva fina caía pausadamente, como se cada gota estivesse aproveitando o máximo a viagem das nuvens até o chão. O sol estava ardente e o clima abafado, mesmo com tantas árvores em volta, aquele era um dia atípico. Um dia de transição, de imortalidade. Marilene tinha por rotina caminhar todas as manhãs logo que o sol nascesse antes de ele se tornar a imensa e insuportável esfera de fogo que sempre foi. Ela tinha por vocação a pintura, pintava quadros absurdos e coloridos sobre mundos desconhecidos e almas perdidas em universos aquarelas. Nesta manhã, decidiu caminhar, não por hábito, mas por ansiedade. Na noite anterior não conseguira dormir com uma imagem que se instalou em sua mente e a importunou até que se materializasse em quadro. A arte que a inspirou era o corpo de uma senhora vestida em tecidos finos e coloridos, desfalecida em um campo verde segurando uma xícara de porcelana envolta em tons de azul que a lembrava do mar, como fosse uma onda que cercou a mulher completamente e...

A eternidade da vida

  -Não demore Rosemeri! - o tom de voz de sua mãe era áspero, mas Rose sabia muito bem que se tratava da profecia. Quando completou seis anos, apareceu na porta de sua casa uma senhora pedindo por água e abrigo do sol. Sua mãe, que passava os dias atarefada a atendeu com toda atenção e carinho. No começo ficou confusa sobre qual era o destino daquela mulher que a trouxe tão longe nos campos, mas com alguns instantes de conversa e se encantando cada vez mais, ela deixou a questão de lado. -Podemos nos sentar na varanda da casa? - perguntou a senhora - Eu adorei seu quintal, suas flores tão bem cuidadas e as roupas no varal dariam um belo quadro de tão coloridas. A menina ficava em volta da senhora sem se aproximar muito, tinha medo de estranhos. Era chucra e não tinha vergonha disso. Seus pais a ensinaram a desconfiar do mundo e seguir todas as regras à risca. -Mas é claro que sim - respondeu sua mãe - Pegarei um chá gelado para tomarmos. Rosemeri, pegue um banco mais confor...

O caçador que sobreviveu ao urso

O caçador nem sempre foi o que é agora. Há algum tempo, quando ainda era criança, não sabia nem ao menos andar na floresta sem se perder nos primeiros minutos. Seus pais, que moravam em uma cabana ao lado da grande floresta, sempre ouviam seus gritos de socorro e saíam logo atrás para mostrar ao pequeno garoto que ele estava a um arbusto de distância de casa. Quando adolescente, tinha medo e ainda se perdia com igual facilidade, mas agora confiava um pouco mais em si mesmo e desenvolveu uma teimosia. -Eu posso muito bem me encontrar e achar o caminho de casa - dizia ele engolindo o choro e secando as lágrimas. Com o passar do tempo essa teimosia e os litros de choro engolidos o tornaram uma pessoa solitária. Suas opções sempre limitadas a seguir um caminho sozinho e descobrir tudo o que pudesse para não depender de ninguém. Quando em casa, no entanto, seus pais o ajudavam com tudo o que precisava. Suas roupas, sempre limpas quando saía para suas andanças; e a caça, seu pai cons...