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Mostrando postagens com o rótulo Alegria

O trem de meio-dia

Os dois esperavam em lados opostos da estação pelo mesmo trem que não demoraria a chegar Yan chegara às dez para pegar o trem Havia planejado seu dia e a expectativa para a viagem era grande, sabia o que faria em cada ponto de parada, tinha programas divertidos em mente para passar o tempo em alegria Bernardo estava ali por acaso Havia bebido demais na noite anterior e acabou em uma festa na casa do primo do irmão do amigo de um amigo dele Chegou na estação quase na hora da partida do trem e entrou cambaleando em seu vagão Quando se sentou em sua poltrona tornou-se são ao encontrar os olhos de Yan que o fitavam como alguém que o conhecia há séculos O rapaz a sua frente começou a conversar e trocar ideias sobre o roteiro da viagem e sobre tudo o que era possível fazer no trem Bernardo que tinha ainda um pouco de ressaca da festa anterior, sentia-se agora em outra, num show de uma pessoa só Yan tinha ânimo e vontade de partilhar tudo o que havia descoberto Ele estava eufórico e alegre po...

Juventude

Naquela manhã eu estava só. Mas estar só era exatamente o que tornava aquele momento mágico, único e meu.  Acordei na grama, em uma praia qualquer.  A ideia de fugir surgira em meio a rotina e a escravidão do capitalismo que me matava a juventude dia após dia.  Meu peito queimava ao sol das dez da manhã e minha cabeça fingia começar a doer.   Olhei em volta, minha camisa não estava tão distante, meus tênis estavam embaixo da pedra onde eu os tinha escondido na noite anterior e as garrafas de cerveja estavam vazias.  Sentei-me na grama e ao olhar para o mar se beijando com o céu e seus tons da manhã, senti-me sem ar.   Eu estava no quadro onde sempre quis estar, nas fotos dos outdoors, nas telas de computadores.  As nuvens ganhavam formas facilmente enquanto eu fumava o terceiro - ou talvez quarto - baseado.  O calor do sol já não era tão quente, pois a felicidade que eu sentia irradiava de mim. Tive a impressão de que os ...

Momento Importante

Nós estávamos à mesa num jantar entre velas Nos olhávamos com paixão e queríamos amar Ela entreabriu sua boca e evitou o dizer Seus lábios se apertaram e seus olhos brilharam   Eu a vi olhar o relógio, o tempo passava Decidi tê-la em meus braços, porém me acanhei Senti uma brisa da janela aberta quando seus cabelos se moveram Eram um tipo de fogo, seus cabelos tão ruivos   Disse a ela sobre meu dia e ela assentiu Contou-me de seu dia e eu me diverti Sorrimos tão tímidos e suspiramos por fim Olhamos para o lado, eu direita e ela esquerda   Bebi um pouco do vinho, coisa que ela também fez Elogiamos a bebida e conversamos sobre seus pais O macarrão estava intocado, não sentíamos fome O ar que nos envolvia era quente e silencioso Estávamos em conforto   No rádio sua música começara a tocar E seus olhos mostraram a emoção aflorar Levantei-me sem jeito e aumentei o volume Sentei-me em seu lado e a envolvi em meus braços ...

Liberdade Solta

Amanhã eu vou correr por aí, imaginando estar neste campo maravilhoso que me aguarda. Quero crescer. Crescer quem eu sou em mim para não haver mais dúvida. Quero respirar. Respirar o ar puro de uma vida feliz e respirar novamente. Quero encher meus pulmões com o ar quente de uma longa tragada e me deitar sobre a grama verde e aconchegante. Quero felicidade, vida, amor e paz. Quero Deus.   ...   Ser livre

Folhas ao Vento de Nós

Nós imaginávamos uma vida de sonhos e desejos realizados, uma vida conjunta e estável. Nós viajávamos para a lua em vinte e sete minutos de cochilo, nos drogamos com o ar quente de nossa respiração, tão perto que não se podia medir. Gargalhamos a nossa miséria apaixonada. Nossas almas eram uma só, quando o ‘sempre’ era solúvel em um segundo. Exploramos a desgraça do poder limitado e dividimos o peso da carga conquistada. Era derradeiro nosso amor, era oscilante, era puro e feliz enfim. Assim o verde se revelava azul e o frio, calor. O céu e suas estrelas, filhas, se apresentavam à direção da lua. A grama que nos confortava era a cama de todos, a cama de casais apaixonados, a casa de nossa graça. As ambições ambicionadas naquela noite são o futuro eternizado no passado, são as obrigações de duas almas presas uma à outra. Prazer era aquilo que tínhamos quando éramos só nós dois. Na faixa 12 do tal CD, na era de ninguém e do nada. O ar era o transmissor de todo aquele sol dentro...

Nuvens

Foi num dia bem cedo em que notei no céu uma coisa estranha, ao menos para mim, muito estranha. O céu que deixei totalmente azul na noite passada hoje acordou com manchas brancas e uniformes. Mas não eram aquelas pequenas meninas branquinhas com as quais eu conversava toda noite e que brilhavam sem parar, estas se moviam e não brilhavam. Quem ou o que seriam elas? Por que invadiam tão atrevidas o céu que me pertencia? Não sei responder. Os dias se passaram e pude observar que as manchas não iam embora, insistentes, ficavam lá passando rápido e me encarando nervosas. ‘O que vocês fazem no meu céu? O que querem?’ gritei a elas para tentar descobrir algo, nada, não me responderam nada. Só o que fizeram foi chorar, choraram amargamente durante quatro dias, estes, que deixaram meu vilarejo totalmente alagado, tinha destruição para todo lado. Aí quem chorou tempestivamente fui eu, fiquei dentro de casa, trancado, num período de seis semanas, só sai algumas vezes para caçar ou pegar lenha, ...