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Beija-Flor

  Beija-Flor está disponível somente no livro 'Folhas ao Vento de Nós'. Este conto foi criado após a conclusão da edição do livro e foi escrito justamente para fechar a sequência de contos. Por isso, este é um exclusivo, visto que ele é uma sumarização de todos os sentimentos que tornaram o manuscrito possível. 'Folhas ao Vento de Nós' está disponível para compra na plataforma da UICLAP  e também em versão digital para Kindle na Amazon . Caso queira a versão em capa dura com ilustrações ainda mais exclusivas, entre em contato que eu mesmo te entrego ou envio para todos os cantos do Brasil. e-mail para contato: kainanismar@gmail.com

O carteiro

Sabia quando acordou às quatro da manhã que aquele seria um dia difícil. Mandou mensagem para sua amiga que nunca respondia, mas que sempre aparecia quando ela precisava de ajuda.  "Eu sei que hoje não será fácil pra mim, você poderia por favor aparecer?"  A mensagem apareceu como enviada às quatro e doze da manhã, recebida às quatro e trinta e seis e visualizada às quatro e cinquenta e dois.  Levantou-se, pois sabia que seria inútil tentar voltar a dormir, seus sonhos a abandonavam quando sua mente estava para receber uma tempestade.  Até o momento era só um pressentimento numa Quarta-Feira de Cinzas em que tantas memórias rastejavam sórdidas para os confins de sua cabeça.  Seu gato estava fora, havia dormido no telhado novamente com toda a certeza. O gato, assim como a dona, adorava contemplar a vista das árvores à frente da casa. A mulher que agora caminhava lentamente para a cozinha, com todo o receio de quebrar seu quadril, podia sentir o cheiro do chá de m...

O canto solitário

  (Eu só podia te amar - Kainan Santos) Você me deu uma música tão linda e encantadora, mas agora tenho que cantá-la sozinho. A mágica incandescente que transformou minha vida foi um momento para compor uma rima, mas agora me dói tanto. Ainda canto e, às vezes, até sorrio, porque a canção é realmente linda. Tive que me machucar, ferir-me até não sobrar uma célula em paz - todas tiveram que sangrar por você - para entender que nada me fere, somente o que crio em minha mente. Já não espero mais por você, nem por ninguém além de mim. Estive só nos últimos dias, chorei e me curei sozinho, explorei lugares e conheci pessoas, sozinho. Vou te amar para sempre, mas não tenho certeza se amo realmente você. Criei uma versão sua em minha mente, com as mesmas estrias nas costas e o jeito de olhar de cima para o celular quando está interessado. Mas essa versão não me fere nem me esconde do mundo. Tive tanto medo no escuro infinito dessa solidão sem você. Não sabia que podia confiar em mim, cuid...

Era você ali

A chuva fina caía pausadamente, como se cada gota estivesse aproveitando o máximo a viagem das nuvens até o chão. O sol estava ardente e o clima abafado, mesmo com tantas árvores em volta, aquele era um dia atípico. Um dia de transição, de imortalidade. Marilene tinha por rotina caminhar todas as manhãs logo que o sol nascesse antes de ele se tornar a imensa e insuportável esfera de fogo que sempre foi. Ela tinha por vocação a pintura, pintava quadros absurdos e coloridos sobre mundos desconhecidos e almas perdidas em universos aquarelas. Nesta manhã, decidiu caminhar, não por hábito, mas por ansiedade. Na noite anterior não conseguira dormir com uma imagem que se instalou em sua mente e a importunou até que se materializasse em quadro. A arte que a inspirou era o corpo de uma senhora vestida em tecidos finos e coloridos, desfalecida em um campo verde segurando uma xícara de porcelana envolta em tons de azul que a lembrava do mar, como fosse uma onda que cercou a mulher completamente e...

A eternidade da vida

  -Não demore Rosemeri! - o tom de voz de sua mãe era áspero, mas Rose sabia muito bem que se tratava da profecia. Quando completou seis anos, apareceu na porta de sua casa uma senhora pedindo por água e abrigo do sol. Sua mãe, que passava os dias atarefada a atendeu com toda atenção e carinho. No começo ficou confusa sobre qual era o destino daquela mulher que a trouxe tão longe nos campos, mas com alguns instantes de conversa e se encantando cada vez mais, ela deixou a questão de lado. -Podemos nos sentar na varanda da casa? - perguntou a senhora - Eu adorei seu quintal, suas flores tão bem cuidadas e as roupas no varal dariam um belo quadro de tão coloridas. A menina ficava em volta da senhora sem se aproximar muito, tinha medo de estranhos. Era chucra e não tinha vergonha disso. Seus pais a ensinaram a desconfiar do mundo e seguir todas as regras à risca. -Mas é claro que sim - respondeu sua mãe - Pegarei um chá gelado para tomarmos. Rosemeri, pegue um banco mais confor...