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O segredo de vida

Era uma sensação estranha Um feixe de luz não apagado Havia algo em um meio vazio Algo que não deveria estar ali Em um corredor branco, somente o enfermo Caminhando para o fim, uma porta, saída Mas até o fim ele não chegaria Pois o fim do corredor estava mais distante que o seu próprio E o sem-teto estava à flor da lua Olhava para o céu e pedia a Deus “O que em mim falta Senhor?  Estarei eu tão longe de sua Graça?” As infinitas ruas esmagadas pelos carros Ouviam os murmúrios do pobre homem sem rumo Caminhavam com ele cobrindo a terra E o homem se deitava cansado, na grama Haveria nos homens um amor escondido? Se houve um dia, pode ser já se perdeu Entretanto, cantando passava um cego Desgraçado de vistas, mas feliz como um rei Motivo de espanto era o homem contente Para o meio, o enfermo, o sem-teto e o asfalto Mas não era ele o personagem principal O cego passara e em algum lugar chegou E no meio dos povos uma borboleta voava Olh...

Silêncio

Esta história fala de uma família comum. Talvez nem tanto pela exuberante quantidade de filhos, mas mantinham uma comunhão padrão. Havia seis garotos e três meninas. Destes nove, somente três nos importam realmente. A filha calada e misteriosa, o garoto problemático e com tendência ao suicídio e o outro, que sempre escrevia tragédias terríveis. Certo dia, o pai bêbado chegou exaltado em casa, cada dia um dos filhos era perturbado por ele e neste, por fatalidade que viria, o suicida foi escolhido. Havia nos fundos da casa uma pequena reforma a ser feita, um pequeno muro a ser remendado. A natureza havia pregado uma peça naqueles miseráveis. Mal dinheiro para a comida eles tinham e o vento, a chuva, destruíram sua casa. Foi então que em um surto, após uma briga com sua esposa, o marido embriagado e a miserável desmaiada, o homem foi a um estabelecimento de venda de materiais de construção e gastou o dinheiro dos alimentos. Uma semana dividindo pão e água com os ratos. Os materiais ali fi...

Momento Importante

Nós estávamos à mesa num jantar entre velas Nos olhávamos com paixão e queríamos amar Ela entreabriu sua boca e evitou o dizer Seus lábios se apertaram e seus olhos brilharam   Eu a vi olhar o relógio, o tempo passava Decidi tê-la em meus braços, porém me acanhei Senti uma brisa da janela aberta quando seus cabelos se moveram Eram um tipo de fogo, seus cabelos tão ruivos   Disse a ela sobre meu dia e ela assentiu Contou-me de seu dia e eu me diverti Sorrimos tão tímidos e suspiramos por fim Olhamos para o lado, eu direita e ela esquerda   Bebi um pouco do vinho, coisa que ela também fez Elogiamos a bebida e conversamos sobre seus pais O macarrão estava intocado, não sentíamos fome O ar que nos envolvia era quente e silencioso Estávamos em conforto   No rádio sua música começara a tocar E seus olhos mostraram a emoção aflorar Levantei-me sem jeito e aumentei o volume Sentei-me em seu lado e a envolvi em meus braços ...

Sorrateiramente, nossa primavera

Sorrateiramente o amor chegou Como uma estrela nova surgiu, brilhou De um cosmo apagado sobreviveu E em mim e em você, Julieta e Romeu O desfecho seguinte estava combinado Havia uma data, um dia, uma noite Beijo bom se fez entre bocas caladas Despidas de medos, desejos; fixadas Durou um milênio de segundo E nem dois anos se passaram, nem um Doei tempo a nós dois era a via Não técnico nem lógico... humano Dopei os lençóis deturpados Sonhamos sonhos sonhados por todos O homem em pé com os pés no pé da cama A vitória cantada, cedo, sobre quem se ama Lisa e fria a ideia de mudar A única saída para cegos nervosos Falando a quilômetros eu te ouvia Sentindo a milhas, frio novamente Enquanto eu em lá, de ti sentia dó A nota nos dedos do violeiro, violando Aquela cadeira sobre a mesa chamava atenção O vento entrava para saber de nós Tu tinha expectativas sobre a alma Sobre a alma havia decisão, solução Tu tentavas abri-la como um deus Tu dependes de Pandora, ...

Demonstração de fé ( em alguém )

Era uma forma de dizer que eu amava Uma captura de voz em tom baixo Criada a rima em pé de cartola    Atraia um vento, as folhas caindo Sobre nós o desejo oculto Trair com nós mesmos, entre outros   Reprimi a parcela de ver e pensar Talhei o talher no copo invisível Padeci de um louvor, uma fé   Até posse querida, amor pelo santo Dentre potes de barro choveu o poder Eram lindos os olhos, moreno tentado   Sua boca cantava sonetos em pranto Meus sentidos sentiam o sentimento sentido Depravei a meia branca, em meio   Tive medo desejo contido entre fios Celebrei o pão velho e o vinho enfim Dependi da pessoa que era o que diz   Sonhei uma pena voando, porém, galinha O ovo indiscreto que sempre existiu Um sistema de amor de um homem em mim   Poderia eu ter o que nada me era?   Com os braços apoiados leria até o fim? Sem piedade, atenção, cai despido Caminhei sem rumo, atropelamento ...