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Descemos ao pé da incapacidade

Eu devia ter dito adeus Eu devia ter compensado a dor que sentimos, devia ter sido forte por nós. Mas eu não pude. Eu não quis. Fui covarde outra vez. Nas entrelinhas do nosso amor havia ódio, havia sangue, tudo eram veias. E este corpo vulnerável não foi capaz de nos manter acesos. Eu peço perdão óh refúgio escondido, eu não retribuí o favor feito, eu libertei as lágrimas proibidas por ti. Não era o humano, era o espírito, era a essência nua de um ser perdido. Como pudemos ter nos refugiado tão longe um do outro? Levarei agora a culpa em uma mala, farei dela minha motivação, não tentarei compreender. Caminhei por caminhos cegos, ouvi a insanidade e acreditei, me perdi por estradas desertas nas quais nunca mais me encontrei. Desisti enfim, de tentar. Abandonei o medo e arregacei as mangas do pudor. Despi-me as vestes violentadas, abusei de mim mesmo a paixão destruída. Não tive ao menos uma vez a chance de me reinventar, foi a perversão redundante o assassino ...

Beirando a loucura

Joguei o lençol no chão e fingi ser forte. Aumentei o volume do rádio que tocará a noite inteira. Sharon. Enlouqueci, imaginei estar sobrevoando o voar. Amarrei meus pés, amordacei-me e gritei por medo. Do sequestro. Do rapto. -Sanidade! Sanidade! Me solte, me largue neste chão frio e vá-se como veio. Não foi, ficou. Bebi do café amanhecido calculadamente por três dias e mil e uma noites. Cortei, de leve, os pulsos cortados. Sangrei prazer e bebi suco humano. Acordei. Joguei o lençol no chão e fingi ser destemido. Pulei da janela e quebrei o carro pela metade. Olhei a mulher em sua saia Monroe. Sorri. Corri desesperadamente para linha do trem. Queria carona, seguir a luz no fim do túnel a pé não tinha graça. Enfrentei-o, venci, parasitei. Acordei. Joguei o lençol no chão e fingi ser Deus. Não temia. Eu era Deus. Matei a fome do mendigo na rua, junto dele. Acordei o rato no esgoto, com a bomba que o matou. Pisei na barata voadora enquanto voava. Congelei o fogo...

Terapia Forçada

Escuridão. Medo. Insegurança. Incapacidade. Nervosismo. Dor. ... Nada mais... ... Antecipei momentos terríveis que me perturbaram. ... Constatei sangue em mim, carne e ossos. ... Danifiquei relacionamentos com minha ansiedade mentirosa, danifiquei minha mente e alma. ... Quem fui eu em momentos de dor? Nada além de alguém fraco e contentado, alguém em desânimo de existência e realidade. ... Conclui enfim. Preciso de terapia forçada. Forçada por mim mesmo á quem eu sou. ... Refleti reflexões, solidão. ... Renascimento de meu ser, mais uma constatação... Todos os meus problemas foram causados por mim mesmo, ninguém mais. Há somente eu dentro de meu corpo e mente. Meus pensamentos concluíam coisas que não existiam, fui traidor. Olhando nos olhos dos outros eu via o meu, sem querer ou poder mudar. Esvaziei meu copo de pétalas, o ar possuiu-o. Sangrei veneno sujo por água cristalina, derramei poder inexistente sobre a incapacidade, invalidaram-se. Ren...

Liberdade Solta

Amanhã eu vou correr por aí, imaginando estar neste campo maravilhoso que me aguarda. Quero crescer. Crescer quem eu sou em mim para não haver mais dúvida. Quero respirar. Respirar o ar puro de uma vida feliz e respirar novamente. Quero encher meus pulmões com o ar quente de uma longa tragada e me deitar sobre a grama verde e aconchegante. Quero felicidade, vida, amor e paz. Quero Deus.   ...   Ser livre

A Incrível Máquina do Caráter

A invenção era perfeita, todos a exaltavam com fascínio. Cientistas ficavam boquiabertos com sua complexidade e serventia. Pessoas nobres rodeavam o jovem rapaz a fim de induzi-lo a venda da máquina. - Quanto custa esta máquina meu rapaz? Olhe, estou disposta a lhe recompensar generosamente. - Disse uma mulher de meia-idade que vestida estava em um blazer branco. - Desculpe, minha senhora. Mas não pode ter preço àquilo que não está à venda. - O rapaz lhe devolveu um sorriso simpático, com o intento de não a magoar. O aparelho estava à disposição de todos, mas somente uma pequena parcela das pessoas estava interessada em seus benefícios. Muitos mentiam para si mesmos e negavam sua condição psicológica. Para melhor entendermos seu funcionamento, discorrerei agora as palavras do próprio inventor.   “23 de julho de 2011”   “Todos os meus planos falharam, várias tentativas e em nenhuma delas obtive o tão esperado sucesso. Mas eis que agora o rumo de minha sabedori...