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A Incrível Máquina do Caráter

A invenção era perfeita, todos a exaltavam com fascínio. Cientistas ficavam boquiabertos com sua complexidade e serventia. Pessoas nobres rodeavam o jovem rapaz a fim de induzi-lo a venda da máquina. - Quanto custa esta máquina meu rapaz? Olhe, estou disposta a lhe recompensar generosamente. - Disse uma mulher de meia-idade que vestida estava em um blazer branco. - Desculpe, minha senhora. Mas não pode ter preço àquilo que não está à venda. - O rapaz lhe devolveu um sorriso simpático, com o intento de não a magoar. O aparelho estava à disposição de todos, mas somente uma pequena parcela das pessoas estava interessada em seus benefícios. Muitos mentiam para si mesmos e negavam sua condição psicológica. Para melhor entendermos seu funcionamento, discorrerei agora as palavras do próprio inventor.   “23 de julho de 2011”   “Todos os meus planos falharam, várias tentativas e em nenhuma delas obtive o tão esperado sucesso. Mas eis que agora o rumo de minha sabedori...

Folhas ao Vento de Nós

Nós imaginávamos uma vida de sonhos e desejos realizados, uma vida conjunta e estável. Nós viajávamos para a lua em vinte e sete minutos de cochilo, nos drogamos com o ar quente de nossa respiração, tão perto que não se podia medir. Gargalhamos a nossa miséria apaixonada. Nossas almas eram uma só, quando o ‘sempre’ era solúvel em um segundo. Exploramos a desgraça do poder limitado e dividimos o peso da carga conquistada. Era derradeiro nosso amor, era oscilante, era puro e feliz enfim. Assim o verde se revelava azul e o frio, calor. O céu e suas estrelas, filhas, se apresentavam à direção da lua. A grama que nos confortava era a cama de todos, a cama de casais apaixonados, a casa de nossa graça. As ambições ambicionadas naquela noite são o futuro eternizado no passado, são as obrigações de duas almas presas uma à outra. Prazer era aquilo que tínhamos quando éramos só nós dois. Na faixa 12 do tal CD, na era de ninguém e do nada. O ar era o transmissor de todo aquele sol dentro...

Lenora, fui recrutado.

Brasil, 19 de agosto de 2000. Sábado, 20h51min   Olá, minha amada,   Esta é a última carta que lhe mando, Lenora. O país está entrando em guerra e não sei se nos veremos mais. Fui recrutado. Você sabe que não terei coragem de tirar a vida de ninguém, você sabe. Eu estive acordado durante a semana que sucedeu o recrutamento. Não posso fugir, seria um desertor. Mas não posso ficar e guerrear imaginando que a qualquer segundo minha vida pode se findar. Eu quero viver meu amor. Eu quero seus braços quentes e infinitos. Sempre foi impossível me esquecer de seu sorriso, seus lábios molhados me convidando a um beijo. Não suporto mais a distância, minha querida. Eu a amo tanto quanto esses animais que me cercam amam suas armas e o gosto de tirar a vida de outro ser humano. Meu amor é mais forte por ser puro e verdadeiro. Sinto muito frio aqui onde estou, chove sem parar e há muitos animais perigosos fora de nossas barracas. Alguns dos soldados temem pela vida como eu, outro...

O egoísmo refletivo

Não estou evitando a confusão, caros, só estou deixando o causador dela cair por si só. Não estou criticando, só estou lhe mostrando um novo caminho. Não estou com inveja, só não quero perder a razão de ser único. Não estou com medo, só não conheço o que vem por aí. Não crio aversões sobre quem sou, pois querendo ou não, eu sempre serei o mesmo. Não enfrento nada por ninguém, os problemas que tenho já me bastam. Não sou mascarado, isto é somente a visão do mundo sobre mim. Não sou mentalmente dissimulado, só enxergo o mundo de uma maneira diferente. Agora! Sim! Posso dizer estou feliz... Não existem mais tabus, isto é, não há o que você não possa fazer. TUDO está ao seu alcance. Mas aproveite bem, pois neste jogo de azar, você só possui uma vida. E ninguém está disposto a renunciar a nada por você!

Eu...

Eu ouvi rumores de que tudo se acabou. Eu ouvi dizer que as pessoas estão se escondendo em suas casas por medo. Eu escutei a falta dos pássaros e senti um leve calafrio em meu corpo. Eu desejei as cores que já não havia. Eu chorei de raiva por minha raça. Eu senti a dor inacabada de um ser humano e senti o corpo cujo, a pele se desfazia. Eu criei expectativas e as perdi pra mim mesmo e não as recuperei. Eu vivi o vento, lembrei-me da época em que éramos livres. Eu gozei alegria da face superada e singelamente sorri para o caos. Eu ajudei a esperança a se levantar, mas ela tombou. Eu perdi as letras e meus dedos, encontrei as palavras e minha voz. Eu dedurei a fama e ela me jurou a cabeça. Eu sonhei acordado por dormir na vida. Eu manipulei olhares e eles me tiraram a consciência. Eu cresci despedaçado, ajuntei meus restos quando pude. Eu pintei o oito e ganhei o sobreviver. Eu critiquei o tempo e despertei a morte. Eu depilei a poesia e pude ver sua b...